[O título é um trecho da música ''Cresci'' da banda paulista Rancore]
Correr de um lado pro outro sem saber onde vai dar...
Coçar a cabeça...
Parar olhando através da minha janela...
O vento que sopra através dela e passa pelos meus cabelos.. acariciando-me... como se soubesse do que eu preciso.
Parar pra olhar não adianta, quando se sabe que não irá prestar atenção em nada diante de seus olhos...
Não tem muito nexo escrever quando os pensamentos estão explodindo na sua cabeça... É um misto de tudo.
A música alta no fone de ouvido não me livra dos pensamentos que desejo esquecer.
Ninguém tampa o vazio.
Acho que não queria mesmo deixar que outros fizessem isso.
Não tem muita graça ficar aqui escrevendo, escrevendo e escrevendo e escrevendo.
Se torturar já não tem mais graça.
Viver de migalhas já não satisfaz.
Me lamentar já ficou sem graça e repetitivo.
Falar que a culpa é minha também já não faz mais sentido.
Essa porcaria está rimando e nem pensei em rimas...
Tudo que escrevo sempre vira romance[aos imbecis que pensam que romance é só o que diz respeito ao amor, vá estudar um pouquinho e veja todos os reais e principais sentidos desta colocação]... Sempre fica cansativo.. perde o nexo... Não extravio meus pensamentos como os maravilhosos contos de Clarice Lispector...
Como se eu tivesse tido medo de tudo que senti.. sem realmente tê-lo.
Como se eu soubesse onde começou, sem me lembrar porque isso tudo eclodiu.
Gastar as unhas no teclado do notebook já tinha se tornado rotina...
A grande verdade é que não aprendi a perder ... Acho que esta lição nunca aprendi direito... Tenho pavor da sensação que perder traz... O fracasso.. a dor de ter lutado e sendo clichê vou dizer: ''morrido na praia'' .
Talvez seja isso.
Mas nem procuro mais explicações pra nada.
Agora algo me entorpece e me traz aqui.
Algo que me faz esquecer de tudo... de todos... e me leva a pensamentos que muitos não conseguem ter.
Algo que deveria me trazer paz... mas acredito que não traga.
O estado chamado ''torpe'' se tornou normal... me encontro nele...
Me sinto livre... como se eu pudesse dizer qualquer coisa... e pensar qualquer coisa.. Que não doeria tanto.
Me entorpecer é o que me faz viver.
Pelo menos, o modo mais simples até agora tem sido esse.
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